logo seeplu 




AL LÍMITE. I Congreso de la SEEPLU

Facultad de Filosofía y Letras

Cáceres, 5 y 6 de noviembre de 2009

Editorial Avuelapluma, Cáceres, 2010, 386 p.
ISBN: CC-000811-2010



Xosé Alfonso Álvarez (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa)
João Saramago (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa)

Áreas lexicais em zona de fronteira: um olhar de síntese para a / da raia luso-espanhola na zona da Extremadura
(pp. 15-39)


ABSTRACT
This paper studies the distribution of lexical patrimonial vocabulary pertaining to the pig and its slaughtering in the border territory, A Raia, between Spain and Portugal, specifically in the zone corresponding to the Spanish Extremadura. Such study aims to observe the dynamics of lexical areas in a zone divided by a political limit - altered throughout the ages - and in which two distinct languages coexist, Spanish and Portuguese; their extension does not correspond with the line of border, because there are Portuguese linguistic minorities in Spanish territory. With this purpose, in the first place we examine the designations for eight concepts in a network of 23 points. Next, using unpublished materials of the ALEPG, we compare the answers to thirty four concepts in four Spanish localities of Portuguese language and in five Portuguese points neighbouring.
Key words: Border, linguistic geography, dialectal lexicon

RESUMO
Este trabalho estuda a distribuição de léxico patrimonial referente ao porco e à matança no território fronteiriço, A Raia, entre Espanha e Portugal, concretamente na zona correspondente á Extremadura espanhola. Tal estudo pretende observar a dinâmica das áreas lexicais numa zona divida por um limite político – alterado com o passar dos anos – e na qual coexistem duas línguas distintas, o espanhol e o português, cuja extensão não coincide com a linha de fronteira, pois existem minorias linguísticas portuguesas em território espanhol. Com esta finalidade, em primeiro lugar, examinam-se as designações para oito conceitos numa rede de 23 pontos e, em continuação, para trinta e quatro conceitos, faz-se um exame contrastivo, com base em material inédito do ALEPG, das respostas obtidas em quatro localidades espanholas de fala portuguesa e em cinco pontos portugueses vizinhos.
Palavras-chave: Fronteira, geografia linguística, léxico dialectal

1. INTRODUÇÃO

À situação linguística raiana entre Portugal e a Espanha, na zona da Extremadura espanhola, tem sido consagrada uma vasta bibliografia, desde os finais do século XIX até ao presente, que, sob diferentes perspectivas, estuda a situação linguística desta região dos dois lados da fronteira. No entanto, estas abordagens, na sua grande maioria, têm incidido sobre uma perspectiva (sócio-)linguística mais generalizada, sem passar por um confronto pormenorizado entre as duas referidas regiões, especialmente no caso concreto do léxico, que é o que pretendemos estudar neste trabalho.

Com esta finalidade, propomo-nos comparar as respostas obtidas para designar uma série de conceitos pertencentes a um campo semântico que é muito importante na economia caseira das populações rurais: o porco e o seu aproveitamento. Optámos por explorar um campo semântico tradicional, pois, de acordo com Herculano de Carvalho (1953: 301), a quem Cintra já seguira na escolha das designações para o seu clássico estudo sobre áreas lexicais em território português, este tipo de conceitos permanece «alheio às influências possíveis dessa mesma língua comum, que o ignora» e, em consequência, segue «o seu próprio destino regional, agrupando-se em áreas bem definidas, que se interpenetram, se deslocam e se recobrem mutuamente, seguindo correntes culturais de direcção igualmente definida»1.

O nosso estudo partirá de duas perspectivas complementares. Na primeira delas, estudar-se-ão as designações recolhidas para 8 conceitos numa rede de 23 pontos, pertencentes a quatro fontes diferentes, situados ao longo dos 350 km de fronteira que unem e separam a Extremadura espanhola dos distritos portugueses da Guarda, de Castelo Branco, de Portalegre e de Évora. Na segunda, efectuar-se-á um confronto das designações para 26 conceitos deste campo semântico obtidas nos inquéritos do Atlas Linguístico-Etnográfico de Portugal e da Galiza (ALEPG) em quatro localidades espanholas com presença da língua (galego-portuguesa2) e os dados recolhidos em cinco localidades portuguesas, geograficamente mais próximas.

2. REDE DE PONTOS

Para o estabelecimento da nossa rede fixou-se, como requisito, que os pontos escolhidos se situassem a menos de 20 km da fronteira política entre Espanha e Portugal. Assim, de acordo com esse critério, seleccionámos 11 pontos portugueses e 12 espanhóis, procedentes de quatro fontes diferentes, três delas com dados em língua portuguesa e uma em castelhano.

- Atlas Linguístico e Etnográfico de Portugal e da Galiza (ALEPG). Seleccionaram-se 10 pontos em território português e 4 na Espanha.

- Cartografía lingüística de Extremadura. Origen y distribución del léxico extremeño. Tese de doutoramento de José Antonio González Salgado [JAGS], apresentada na Universidad Complutense de Madrid no ano 2000 e parcialmente disponível na Internet, http://www.geolectos.com. Seleccionaram-se 9 pontos na Espanha.

- Falares de Herrera e Cedillo. Dissertação de licenciatura de Mª da Conceição Vilhena, apresentada na Universidade de Lisboa em 1965.

- Inquérito realizado em Mourão por um estudante de Manuela Barros Ferreira.

Desse modo, a rede que estabelecemos é a seguinte:

Portugal

1 ALEPG G8 Fóios (Guarda)
3 ALEPG CB4 Salvaterra do Extremo (Castelo Branco)
5 ALEPG CB8 Rosmaninhal (Castelo Branco)
7 ALEPG CB3 Malpica do Tejo (Castelo Branco)
9 ALEPG Pl5 Porto de Espada (Portalegre)
11 ALEPG Pl1 Alegrete (Portalegre)
13 ALEPG Pl6 Campo Maior (Portalegre)
15 ALEPG G E1 S. Romão (Évora)
17 ALEPG E10 Terena (Évora)
19 ALEPG E5 Carrapatelo (Évora)

As pesquisas de José Antonio González Salgado (JAGS) desenvolveram-se entre os anos 1995 e 1997. O espaço temporal das recolhas para o ALEPG é muito mais alargado –estende-se, para a zona estudada, de 1974 a 19993 – e as investigações de Maria Conceição Vilhena remontam a 1963 e 1964. A pesquisa em Mourão é do início dos anos 90. Esta circunstância faz com que não possamos descartar a hipótese de que algumas das discrepâncias interpontuais se devam ao espaço cronológico entre as datas de realização dos respectivos inquéritos. A pesquisa em Mourão é do início dos anos 90.

3. EXAME MONOGRÁFICO DE CONCEITOS

Para estabelecer os conceitos, a estudar monograficamente, compararam-se os itens do campo semântico do porco e a matança que eram comuns no inquérito do ALEPG e no de JAGS, de modo a garantir a existência de respostas num número significativo de pontos, tanto na Espanha como em Portugal.

Uma vez fixadas as correspondências, decidimos eliminar os conceitos que apresentavam respostas idênticas para os dois territórios em confronto:

- ‘Revolver com o focinho’: foçar, hozar.
- ‘Acto de matar’: matança, matanza. Apenas num ponto (Rosmaninhal) foi obtida outra resposta, estreitamente ligada àquelas designações: a forma matação.
- ‘Chouriço de sangue’: morcela, morcilla.
- ‘Gordura do porco entre a carne a pele’: toucinho/toicinho, tocino. Em dois pontos espanhóis (Villa del Rey e Membrío) aparece como co-ocorrência a resposta gordura, que também se encontra no Norte de Extremadura (8 pontos da rede de JAGS) e num único ponto da província de Badajoz, acompanhando tocino, forma habitual em todo esse território. Complementarmente, foi obtida em Fóios carne gorda (“sem carne nenhuma”) e marrana em S. Martín de Trevejo, para referir o toucinho fresco, enquanto toicinho é o salgado.

Do mesmo modo, eliminámos outros dois conceitos, um por não apresentar respostas num número significativo de pontos –é o caso de banco ou mesa de matar o porco–, outro, por se tratar de um conceito cujas respostas apresentam uma múltipla diversidade de referentes: ‘instrumento para raspar’, que tanto pode ser um utensílio específico, como uma faca velha, uma pedra, etc.

Tratando-se dum estudo de carácter lexical, não considerámos as diferentes variantes fonéticas das respostas, exceptuando as formas de verraco, verrasco ‘porco inteiro’ e chamuscar, musgar ‘queimar o pêlo do porco’. Isto deve-se à nossa intenção de apurar a possível existência de uma distribuição areal “coerente”.

Realizado este trabalho prévio, foi obtida uma lista de doze conceitos que era nossa intenção analisar em detalhe. Só que, por motivos de ordem técnica –extensão escrita do trabalho– apenas serão apresentados oito dos conceitos, sendo os quatro restantes analisados no capítulo do confronto interpontual.

Na análise destes oito conceitos será fornecida uma breve explicação para cada uma das respostas obtidas, dando atenção às semelhanças e diferenças lexicais existentes nas duas áreas em estudo, com especial relevância para as designações que formam áreas linguísticas4.


3.1. ‘porco’

cerdo: 08, 10b, 10c2, 16, 20.
cochino: 02, 04, 06, 10b, 12, 16, 18b, 20.
guarro: 18b, 22.
marrano: 015 .
porco: 01, 03, 05, 07, 09, 10a, 10c1, 11, 13, 14, 15, 17, 18a, 19, 21.

Observamos que a resposta porco (< lat. PORCU) é a única conhecida nos pontos portugueses pesquisados e só se encontra em duas localidades do outro lado da Raia: em La Rabaza e Olivenza. Exceptuando estes dois pontos lusófonos, a forma porco ou o seu equivalente puerco são desconhecidos na Extremadura, segundo os inquéritos de JAGS; já Corominas (DCECH, s.v.) chamava a atenção para a possibilidade do uso metafórico de puerco com o valor de ‘muito sujo’ ter levado à sua desaparição como designação do animal a partir de finais do s. XVII, sendo substituído sobretudo por cerdo, que se explica normalmente como uma forma eufemística (e metonímica) nascida do substantivo cerda ‘pêlo duro e grosso de animais como o porco ou o cavalo’.

Nos outros pontos da Extremadura espanhola distinguimos duas situações. Por um lado, localizadas em toda a Raia, de Norte a Sul, estão as designações cochino e a já citada cerdo; a primeira delas (que tem menor extensão, pois não a recolhemos nos Tres Lugaris) é um derivado de cocho, proveniente da interjeição coch-, voz de chamada para o animal. Por outro, e localizada apenas em dois pontos de Badajoz, existe guarro, seguramente de origem onomatopaica, a partir dos grunhidos do animal.

porco



3.2. ‘cria da porca ’

Tipo bácoro6 : 05, 07, 10a, 10c1, 117 , 13, 14, 15, 21.
Tipo cochino8 : 02, 06.
Tipo guarro9 : 08, 12, 16, 20, 22.
Tipo leitão10 : 01, 03, 0511 , 0712 , 09, 10a, 10b, 10c2, 11 , 1314, 14, 15, 17, 18a, 19, 20, 21.
peladilla: 18b.
porquinho: 21.
rela: 15.
tostón: 02, 04.

Estudamos neste apartado as denominações para a cria pequenina do porco que se alimenta de leite até ser desmamado, o que tradicionalmente acontecia por volta das 7-8 semanas (antes das modernas explorações suinas).

Embora a sua área maioritária seja o Leste e o Sul da Extremadura, encontrámos dois registos de lechón na rede de JAGS que tivemos em linha de conta para este trabalho (Cedillo e Cheles), aos quais temos de acrescentar outras três atestações deste tipo noutras fontes; em duas delas (La Rabaza e Olivenza), a resposta foi directa, enquanto em Cedillo foi referido que em Herrera se diz leichón (com africada). No território político português está bem documentado leitão, formado sobre o substantivo ‘leite’, com uma motivação semântica absolutamente transparente.

Em contrapartida, com excepção de Cedillo, a forma bácoro apenas ocorre fora do território português. Quanto à sua origem etimológica existem diferentes hipóteses, entre as quais uma origem pré-romana, proposta, com dúvidas, por Corominas (DCECH, s.v. bacón).

Curiosa é a distribuição do tipo guarro, que no conceito anterior se localizava apenas no Sul da linha de fronteira, mas que agora aparece bastante mais a norte, com diferentes realizações (guarro, guarrito, guarrino). Caso contrário é o de cochinillo e cochino que no mapa anterior apareciam em sete localidades e que agora só se encontra atestado em dois pontos.

Como formas minoritárias, destaque para tostón recolhido nos Tres Lugaris nas pesquisas do ALEPG e de JAGS. Não se trata de um termo exclusivo dessa região, pois González Salgado documentou-a também mais a leste, em Casar de Palomero, Ahigal e Guijo de Galisteo ou, ainda mais longe, Serradilla, a mais de 70 km. O dicionário da RAE recolhe esta forma, mas para se referir ao «cochinillo asado». Pode-se-lhe acrescentar a resposta peladilla, que no ALEPG só aparece em Olivenza, mas que foi recolhida por JAGS noutros oito pontos estremenhos, e que seguramente é uma designação que se refere ao animal já assado, por uma comparação metafórica com a acepção mais comum de peladilla no espanhol: «Almendra confitada con un baño de azúcar» (DRAE).

Por último, assinalemos a presença de duas respostas que só aparecem uma vez no ALEPG, no Sul da Raia, do lado português. Em primeiro lugar, no inquérito efectuado pelo aluno de Manuela Barros Ferreira em Mourão: porquinho, diminutivo do porco, comentado no apartado anterior, uma resposta bastante frequente para o leitão em pontos portugueses. Mais ao norte, em S. Romão, temos rela (de género masculino), que aparece em co-ocorrência com leitão e bácoro; trata-se de forma não documentada, com esta acepção, em nenhum outro ponto do ALEPG nem nos dicionários e glossários consultados .

leitao

3.3. ‘bácoro desmamado’

Bácoro: 0115 , 03, 07, 09, 1116 , 13, 14, 17, 18a.
Cochino: 02.
Tipo lechón17 : 10b, 12, 18b.
Tipo guarro: 16 , 22.
Farroupo18 : 09, 11.
Tipo destetado19 : 08, 10b, 20.
Tipo marrancho20 : 01, 05.

Encontramos bastantes pontos em que não se recolheu resposta21. O termo mais frequente do lado lusófono é bácoro, que também fora obtida para designar o animal mais pequeno, como se viu no apartado anterior; neste, nós incluímos apenas aqueles pontos em que se especificou claramente que bácoro era a designação para o animal crescido. No território de fala espanhola não há uma resposta clara, ainda que várias das formas existentes também foram utilizadas para designar o porquinho pequeno: é o caso de cochino, guarro ou lechón que, num caso, em Cedillo, aparece modificado por um adjectivo: lechón destetao.

Em Fóios e Rosmaninhal foram obtidas, respectivamente, as formas marraninho e marrancho, palavras duma família de etimologia duvidosa, que possivelmente convenha derivar do árabe máḥram ‘coisa proibida’, devido ao seu carácter de alimento vetado para os muçulmanos (DCECH, s.v. marrano). Mais para sul, em Porto de Espada e Alegrete, localidades separadas apenas por uma dúzia de quilómetros, aparece a resposta farroupo que, apesar de não haver indicações concretas no questionário, seguramente se refere a um animal de maior idade, não apenas o desmamado. Esta forma é definida por Cândido de Figueiredo como «Porco que não tem mais de um ano. Ant. Porco grande e castrado»; o dicionário de Morais acrescenta «Em Elvas22, porco grande, com um ano ou mais para engorda».

Por último, e já em território espanhol, assinalamos três respostas formadas a partir de destetar ‘fazer com que deixem de mamar as crias dos animais’: destetones em Villa del Rey e as já referidas formas lechón destetao em Cedillo e destetao em Cheles.

bacoro


3.4. ‘porco inteiro para reprodução’

Tipo varraco: 02, 03, 04, 05, 07, 10a, 14, 16, 20, 22.
Tipo varrasco: 01, 09, 11, 13, 15, 17, 18a, 19, 21.
Tipo verraco: 06, 08, 10b, 12, 18b.

Neste caso, já que JAGS assinalava a existência de duas áreas bem definidas na Extremadura, a de verraco e a de varraco, considerámos oportuno manter essa distinção na cartografia, para observar se a incorporação de material lusófono produzia alguma alteração significativa a esse respeito. Na forma ortográfica não tivemos em conta a pronúncia da primeira consoante (maioritariamente bilabial, na nossa rede), regularizando a grafia das respostas de acordo com o padrão.

varraco

Nas localidades analisadas temos unicamente continuadores do lat. VERRES ‘porco macho’. A já referida alternância va-, ve-, na sílaba inicial, não ocorre nos dados portugueses, que prefere as formas com vogal central média [ɐ]; o termo varraco está também presente nos pontos mais ocidentais da Extremadura. A designação varrasco é a mais frequente em território português e também foi recolhida em Olivenza. Trata-se de uma variante desconhecida nos inquéritos de JAGS (também não a encontrámos nos corpora espanhóis pesquisados).

3.5. ‘pia, masseirão’

barreñón: 22.
Tipo gamela23: 02, 03, 04, 09, 11, 16, 17, 20.
cuezo: 06, 08.
cunco: 01, 04.
dornajo: 18b.
masseirão: 01, 05, 07, 09, 10c1, 11, 13, 14, 15, 17, 18a, 19, 21.
Tipo pia24: 03, 05, 07, 09, 10a, 10b, 10c2, 14, 15, 18a, 19, 21.
Tablera: 12.

O questionário do ALEPG tem dois itens para este conceito, sendo normalmente a diferença entre eles o material de construção (a pia é de pedra e o masseirão de madeira), ainda que também se faça depender a distinção da sua diferente utilização (numa pia comem os porcos grandes e no masseirão os pequenos) ou, então, mesmo do alimento ali deitado (pia para a água e masseirão para a comida). Porém, no mapa de JAGS não se recolhem precisões deste tipo25. Embora possa haver distintos referentes, optámos por cartografar todas as respostas no mesmo mapa, dada a proximidade semântica e a ausência de distinção nalguns pontos26.

No território de fala portuguesa observamos que o habitual é que apareça um par de tipos, pia (< lat. PILA ‘almofariz’) e masseirão (derivado de masseira, formado sobre massa), respostas aos conceitos 1220 e 1220.1., respectivamente, com as especificações acima referidas. Dessas duas formas, masseirão não aparece nos pontos de fala castelhana pesquisados por JAGS, enquanto recolheu um termo do primeiro tipo: pilón em Cedillo e pila em La Rabaza, para além de em vários pontos da Extremadura pesquisados por JAGS27 e que ficam fora da nossa rede.

A essas formas, concentradas no território português, temos de contrapor um tipo de respostas com vitalidade transfronteiriça e interlinguística, os continuadores do latim CAMELLA ‘copa, recipiente para beber’ (DCECH, s.v. gamella). As formas obtidas são variadas: gamela (Salvaterra do Extremo, Porto de Espada, Alegrete), gamelón/gamelão (San Martín de Trevejo, Terena e Cheles) e também uma forma que manteve a velar surda inicial e apresenta uma lateral palatal, camellón (La Codosera). O mapa 295 de JAGS evidencia a heterogeneidade de formas no domínio estremenho, que estão concentradas sobretudo no Norte de Cáceres. Em Eljas a resposta obtida foi cambelón, que podemos associar sem dúvida com o galego cambeleira («vasija en que comen los animales», segundo o dicionário de Eladio Rodríguez). Eventualmente, poder-se-á estar perante um derivado da raiz céltica camb-, tão habitual em denominações de objectos curvos, especialmente do âmbito agrícola; pode tratar-se dum cruzamento (cf. casos semelhantes em DCECH, s.v. gamella), mas também poderá ser um convite a reexaminar a etimologia do lat. CAMELLA (que Corominas interpreta como formado a partir de CAMELU ‘camelo’, por comparação com a redondez das bossas).

São interessantes os dois registos de cunco (de cunca < lat. CONCHA) como co-ocorrência em duas vilas vizinhas separadas pela Raia, Fóios e S. Martín de Trevejo; note-se que JAGS também recolheu uma resposta cuenco no centro-leste da província de Cáceres, mais concretamente em Torrejón el Rubio. Igualmente em dois pontos próximos (mas desta vez no lado espanhol da fronteira), Ceclavín e Villa del Rey, encontrámos uma resposta coincidente, mas desta vez como resposta única: cuezo, forma de etimologia problemática que se discute em DCECH (s.v. cuezo).

3.6. ‘pocilga’28

Chiqueiro: 09, 15, 18a, 19, 21.
Tipo cochineira29: 02, 08, 10c2, 20.
Tipo curral30: 03, 06, 07, 10a, 10c1, 17, 18a.
Tipo cortella31: 01, 04, 21.
Tipo furda/zahúrda32: 03, 05, 07, 08, 10a, 10c1, 10b, 10c2, 12, 14, 16
Tipo malhada/majada33: 09, 17, 18b, 20, 22.
Pocilga: 09, 11, 13, 17, 18a, 21.
Tulha: 13.

Como no caso anterior, na maioria de pontos recolhem-se duas ou mais respostas, porque o informante fornece um nome distinto segundo o tipo de pocilga ou a função. Os inquéritos do ALEPG são prolixos em anotações a esse respeito34.

pocilga


No que diz respeito à distribuição de tipos lexicais, este mapa é duplamente interessante; em primeiro lugar, pela existência de áreas bem definidas e, em segundo, porque algumas dessas áreas são transfronteiriças e interlinguísticas, isto é, localizamos o mesmo tipo de resposta em Portugal e na Espanha, tanto nos territórios espanhóis de fala portuguesa como nos de castelhana.

Vejamos algumas dessas áreas. As formas do tipo zahúrda ou furda aparecem na nossa rede, às vezes como co-ocorrências, desde Salvaterra do Extremo até La Codosera, uns 90 Km mais ao Sul, em qualquer das três tipologias de território acima assinaladas. Há que assinalar o facto de que, no interior de Extremadura, a sua área aumenta35. Sobre esta forma Corominas (DCECH, s.v. zahúrda) fornece abundantes informações sobre a sua extensão nas diferentes falas da Península Ibérica. Como noutros casos, há fortes dúvidas quanto à sua etimologia; o filólogo catalão rejeita a hipótese avançada no DRAE36 e pensa num verbo za/chafurdar, que teria sido formado a partir dos verbos furgar/hurgar (< lat. FURICARE), aludindo a uma acção típica dos porcos.

Por sua vez, as formas malhada ou majada apresentam uma distribuição quase complementar da resposta anterior, pois localizam-se no centro e, sobretudo, no sul do território, entre Olivenza e Mombuey, tanto em Espanha como em Portugal. Para explicar a sua origem, supõe-se um lat. *MACULĀTA, derivado de MACŬLA ‘malha, rede’, mas também se conhece um neutro plural MAGALIA ‘choças, cabanas, etc.’, que teria a ver com o traço de ‘espaço coberto’ como foi dito em Terena, mas que, segundo Corominas, é impossível do ponto de vista semântico (DCECH, s.v. majada).

Ocupando a mesma área, na metade sul da nossa rede, apenas em território português e, como co-ocorrência, em Olivenza, coexistem chiqueiro e pocilga. A primeira delas não é conhecida nos pontos da Extremadura pesquisados por JAGS, enquanto os dados do ALEPG mostram que se trata de uma forma com bastante vitalidade no território português, muito especialmente nos domínios insulares e no distrito de Évora, às vezes com alguma precisão semântica. Esta forma chiqueiro, que no Brasil também se aplica a cortelhos de galinhas, bezerros ou ovelhas, é, como várias das formas que comentámos anteriormente, de etimologia discutível. O DCECH (s.v. chiquero) opta por um étimo mozárabe, derivado do lat. CIRCARIU, derivado de CIRCU, ‘circo’, mas também ‘cercado’ (vid. Houaiss, s.v chiqueiro).

Apesar de pocilga ser uma forma de uso frequente em espanhol, na Comunidade de Extremadura foi recolhida por JAGS apenas em duas localidades, e já nos seus limites orientais. Poderá tratar-se de um derivado de PORCU; no entanto, subsistem as dúvidas sobre os estádios intermédios (possivelmente, PORCILICA, que teria dado *porcilga, e daí pocilga).

Nos dois lados da fronteira, mas sem formar uma área bem definida, existe a forma curral (< lat. *CURRALE) e alguns derivados: corraleda (Ceclavín) e curralada (Cedillo). Também não formam área lexical diversos termos que só aparecem no lado espanhol da Raia, designações formadas a partir de cochino, palavra comentada no início deste trabalho: cochinera, em Eljas e cochineira-, em Villa del Rey, em Herrera e em Cheles.

É interessante a forma cortelha, pois observamos, como no conceito anterior (com cunco), uma coincidência lexical entre S. Martín de Trevejo e Fóios, do outro lado da Raia, a uns 10 kms, partilhando uma forma que não aparece nas zonas vizinhas do lado espanhol, mas sim nas do português, especialmente no distrito da Guarda, como evidenciam os dados do ALEPG. Temos também, no outro extremo da nossa rede de pontos, em Mourão, a forma quartelha, uma alteração de cortelha à qual seguramente não será alheia a influência da forma quarto.

Por último, recolhida apenas em Campo Maior, como co-ocorrência, temos a forma tulha ‘construção tapada onde dormem os porcos’, que seguramente é uma extensão metafórica a partir doutras acepções mais habituais da palavra (‘recipiente para a armazenagem de cereais’, ‘lugar onde se armazena a azeitona’, etc.)

3.7. ‘grunhir’

Tipo grunhir/gruñir37: 02, 04, 06, 08, 10b, 10c1, 10c2, 12, 16, 17, 18a, 18b, 19, 20, 21
Roncar: 01, 03, 05, 09, 10a, 11, 13, 14, 15, 22
Urrar: 07.

Em quase todos os lugares pesquisados a resposta é única, com excepção de dois pontos (Valencia de Mombuey e S. Romão), onde alternam os tipos roncar e grunhir; nesta última localidade eborense, faz-se, contudo, uma distinção: emitir o ruído normal é roncar, enquanto gornir é o que faz o porco quando grita.

roncar


Os dois tipos principais são conhecidos quer na Espanha quer em Portugal, mas a sua prevalência e vitalidade nos dois territórios é diferente. Grunhir (< lat. GRUNNIRE ‘roncar o porco’) é conhecido apenas em 4 dos 11 pontos portugueses da nossa rede, mas é a principal designação nos pontos do outro lado da fronteira e conhecida em todos os lugares indagados (apenas 7 desses lugares recolhem, como co-ocorrência, outra resposta)38. Por sua vez, roncar (< lat. RHONCHARE ‘roncar, ressoar’) aparece em 6 pontos portugueses e apenas em dois estremenhos, aliás contíguos: Valencia de Mombuey e Cedillo.
Por último, assinalemos a designação muito pouco frequente: urrar, que foi obtida apenas em Malpica do Tejo39.

3.8. ‘piara’

Adua40: 10a, 14.
Manada: 06, 10a, 10b, 14, 16, 20.
Piara41: 08, 17, 18a, 18b, 20, 22.
Porcada42: 02, 03, 05, 10c1, 10c2, 11, 13.
Rabanho: 21.
Vara43: 07, 09, 12, 15, 17, 19, 21.

Embora não duma forma tão clara como nalgum dos conceitos anteriores, sim que distinguimos neste mapa áreas lexicais definidas e também algumas em que a pouca largura da nossa rede de pontos pode dar lugar a falsas interpretações. É o caso de piara, que, a priori, poderíamos considerar como uma forma típica do sul, com um registo isolado em Villa del Rey, quando realmente uma olhada aos dados da tese de JAGS no seu conjunto demonstra que é uma forma com vitalidade destacada em Cáceres, ainda que menos presente no ocidente e no norte da província. É interessante comentar que, embora a grande maioria das respostas se concentre em território de fala espanhola, há um registo em Portugal, Terena, especializado como ‘vara pequena’; é, por tanto, uma forma com vitalidade interlinguística, em castelhano e em português. A sua etimologia é incerta, a opinião mais assentada explica-o como derivado de pé, referido às patas do gado (DCECH, s.v. piara).

Um pouco diferente é o caso da forma porcada; apesar de, na nossa rede, aparecer maioritariamente em pontos portugueses (e continuar para o interior de Portugal, como se vê nos dados do ALEPG), está também presente em zonas do centro e leste da Extremadura, não apenas nos pontos de fala (galego-)portuguesa, mas também noutros lugares da província de Cáceres examinados por JAGS.

porcada

A forma manada, derivada de mano, foi recolhida unicamente em território espanhol. Por sua vez, vara aparece só em Portugal, com uma única atestação em Espanha, em Membrío. Fora da nossa rede existe também noutros pontos da Extremadura, especialmente no interior do território que confina com a Andaluzia ou com a Mancha. A sua etimologia é curiosa, pois trata-se da comparação do rebanho com a vara de que se serve o pastor para guiá-lo. Semelhante seria a origem de rebanho, explicada por Corominas (DCECH, s.v. rebaño) como dissimilação de ramaño.

Por último, podemos comentar, pela sua especificidade semântica, a forma adua: nos dois pontos em que se recolheu, tem o valor de ‘rebanho de porcos pertencentes a várias pessoas’, do árabe hispano dûla ‘turno, alternativa, ocasião, etc.’. Continua no castelhano dula –que não foi recolhido por JAGS–,que demonstra bem a variedade de acepções dentro duma mesma ideia semântica:

«1. f. Porción de tierra que, siguiendo un turno, recibe riego de una acequia. 2. f. Cada una de las porciones del terreno comunal o en rastrojera donde por turno pacen los ganados de los vecinos de un pueblo. 3. f. Sitio donde se echan a pastar los ganados de los vecinos de un pueblo. 4. f. Conjunto de las cabezas de ganado de los vecinos de un pueblo, que se envían a pastar juntas a un terreno comunal. Se usa especialmente hablando del ganado caballar». (DRAE).

4. COMPARAÇÃO INTERPONTUAL ENTRE PONTOS ESPANHÓIS PESQUISADOS NOS INQUÉRITOS DO ALEPG E PONTOS VIZINHOS PORTUGUESES.

Como foi antecipado na introdução, realizaremos uma comparação dos resultados obtidos nos quatro pontos do ALEPG pesquisados em território estremenho, contrastando-os com os seus “opostos” no país vizinho. Esta análise será de especial interesse para obter informação sobre o comportamento lexical das minorias linguísticas portuguesas, ou galego-portuguesas, em território espanhol, examinando se as designações recolhidas alinham com as de Portugal ou se se identificam mais com as espanholas.

Em concreto, estabelecemos os seguintes pares de oposição:

- 4 (ALEPG H, San Martín de Trevejo) – 1 (ALEPG G8, Fóios)
- 10a (ALEPG I, Cedillo) – 7 (ALEPG CB3, Malpica do Tejo)
- 14 (ALEPG J, La La Rabaza) – 9 (ALEPG Pl5, Porto de Espada), 11 (ALEPG Pl1, Alegrete)
- 18a (ALEPG K, Olivenza) – 15 (ALEPG E1, S. Romão).

Nos três primeiros pares de pontos, a distância geográfica oscila entre os 8 e os 12 km em média, enquanto na última já duplica, pois pode superar os 20 km (assinale-se que as pesquisas do ALEPG não se limitaram a Olivenza; parte do inquérito foi feito em lugares à volta: Villarreal, S. Benito de la Contienda e S. Jorge).

Em primeiro lugar, examinaremos as designações obtidas para os oito conceitos examinados no apartado anterior, sob um prisma claramente contrastivo, observando as possíveis diferenças no comportamento dos quatro pares. Em seguida, estenderemos a nossa pesquisa a um inventário alargado, duma trintena de conceitos, sempre dentro do campo semântico do porco e da matança, e que, por evidentes motivos de espaço, não serão examinados em detalhe como os do ponto 3.

4.1. Comparação das designações estudadas no apartado 344.

No primeiro par, entre S. Martín de Trevejo e Fóios, dos oito conceitos estudados, apenas num deles há coincidência plena (cortelha), enquanto noutro, ‘pia’, a coincidência é apenas parcial (têm em comum a forma cunco, mas não a outra), como também o é com varraco e varrasco.

A terceira oposição é a de La Rabaza com Porto de Espada e Alegrete. A coincidência é plena em dois conceitos (‘porco’ e ‘roncar’), enquanto há coincidência muito elevada noutros dois (as três conhecem leitão e bácoro, mas apenas os dois pontos portugueses conhecem farropo/a; do mesmo modo, as três têm como resposta principal pia e masseirão, mas em Alegrete existe a forma gamela. Em La Rabaza há dois tipos lexicais (furda e manada [de porcos]) que não são conhecidos nos pontos vizinhos.

A última oposição de pontos, entre Olivenza e S. Romão, apresenta coincidência plena em dois conceitos (porco e varrasco) e em quatro deles é parcial: as duas conhecem leitão, mas apenas S. Romão conhece rela; S. Romão tem masseirão e pia, enquanto Olivenza conserva apenas um derivado desta última, pileta. As duas localidades forneceram chiqueiro como resposta, mas Olivenza também acrescentou pocilga e curral. Por último, ambas conhecem grunhir, mas S. Romão também tem roncar.

Mais adiante, uma vez analisado um número significativo de campos lexicais, examinaremos a questão do comportamento destes pares, especialmente o primeiro, que aqui parece afastar-se da tendência maioritária.

4.2. Comparação com um inventário alargado de conceitos.

Para a segunda parte do estudo, foram escolhidos 32 conceitos, que serão comparados pelos mesmos pares de pontos do apartado anterior. Desses, excluímos seis, por não apresentarem variação lexical. Foram eles: rapar/raspar, chambaril (com as variantes chambarilho e cambaricho), tripa, paio/palaio e bofe/boche.

Nos restantes 26 conceitos, observamos diversidade nas respostas, se bem que nem sempre em cada par de pontos. Também se verificaram algumas não-respostas, quer por a pergunta não ter sido feita, quer por desconhecimento do informante. Na continuação, exporemos as formas obtidas nos inquéritos para cada conceito, finalizando com uma análise de conjunto.

Para alguns casos, oferecemos também um mapa, em que se representam as formas seguindo uma chave de cores: os símbolos a vermelho são os que alinham com o resto do território português, segundo os inquéritos do ALEPG; a azul são os que seguem os padrões castelhanos; os símbolos a verde são as respostas para as quais não foi possível estabelecer uma filiação (foram obtidas maioritariamente em território espanhol, mas encontram-se recolhidas noutros pontos da rede portuguesa do ALEPG).

- ‘fêmea do porco’. As respostas obtidas foram:
Cochina: S. Martín de Trevejo.
Porca: Fóios, Malpica do Tejo, Cedillo, Porto de Espada, Alegrete, S. Romão e Olivenza.
Marrã/marrana: Fóios (reconhecido como termo antigo) e La Rabaza.

- ‘(porca) em cio’
Aluada: S. Romão.
Está com a natura inflamada: Cedillo
Levantada: Olivenza.
Quente: Fóios, S. Martín de Trevejo, Cedillo.
Saída: Malpica do Tejo, Porto de Espada.
Revolta: La Rabaza.
Varronda: Fóios, Malpica do Tejo.

- ‘focinho’
Focinho: Fóios, Malpica do Tejo, Cedillo, Porto de Espada, Alegrete, La Rabaza e S. Romão.
Morro: S. Martín de Trevejo e Cedillo.
Tromba: Fóios, Malpica do Tejo, Porto de Espada e Alegrete.
Ventas: Olivenza.

porca

- ‘arganel’ (arame enfiado no focinho do porco para ele não foçar)
Anel: Cedillo.
Anilha: S. Martín de Trevejo.
Arame: Fóios e Malpica do Tejo.
Arganel: Porto de Espada, La Rabaza, S. Romão e Olivenza.

- ‘espádua’ (osso achatado das pernas da frente)
Pá: Porto de Espada.
Paleta: Fóios, S. Martín de Trevejo, Cedillo, La Rabaza, S. Romão e Olivenza.
Espada: Alegrete.

- ‘magarefe’ (matador de porcos)
Chacineiro: Alegrete, S. Romão.
Matachín / matanchín: S. Martín de Trevejo, Cedillo, La Rabaza, Olivenza.
Matador: Malpica do Tejo, Porto de Espada.

- ‘desmanchar’ (partir o porco)
Cortar: La Rabaza.
Descarnar: Olivenza.
Desmanchar: Fóios, Malpica do Tejo, Porto de Espada, Alegrete e S. Romão.
Elbaratar: S. Martín de Trevejo.
Zambalhar: Cedillo.

- ‘desmanchar’ (separar as tripas)
Desapartar/apartar: Malpica do Tejo e Olivenza.
Desenredar: S. Martín de Trevejo.
Desmanchar: La Rabaza.
Estremar: Cedillo.

- ‘(tripa) delgada’
Delgada: Cedillo, Porto de Espada, Alegrete, La Rabaza e Olivenza.
Estreita: S. Martín de Trevejo e Porto de Espada.
Fina: Cedillo.
Miúda: Fóios, Malpica do Tejo, S. Romão e Olivenza.

desmanchar

- ‘(tripa) grossa’
De encher: S. Martín de Trevejo.
Gorda: La Rabaza e Olivenza.
Grossa: Fóios, Malpica do Tejo, Cedillo, Porto de Espada, S. Romão.
Rosqueira: Alegrete.

- ‘palaio’ (o ceco do porco)
Paio: Fóios, Malpica do Tejo, Porto de Espada, La Rabaza.
Paio palangaio: Cedillo.

- ‘riçol’ (gordura que une as tripas)
Redenho: Fóios e S. Martín de Trevejo.
Entretinho: Malpica do Tejo, Cedillo, Alegrete e La Rabaza.

- ‘véu das tripas’ (membrana exterior que segura as tripas)
Véu: Malpica do Tejo, La Rabaza e Olivenza.
Lenço: Cedillo.

- ‘(tripa) caganeira’ (tripa do rabo)
Cagareira: Malpica do Tejo.
Cular: Olivenza.
Do cu: Fóios, Malpica do Tejo, Cedillo, Porto de Espada e La Rabaza.
Recta: S. Martín de Trevejo.
Refaltosa: S. Martín de Trevejo.

tripa

- ‘baço’
Baço: Porto de Espada.
Pajarilla/pajarillo: S. Martín de Trevejo e Olivenza. || Passarinha: Cedillo e La Rabaza.

- ‘barbela’ (onde se espeta a faca para matar o porco)
Barbela: Porto de Espada, Alegrete, S. Romão e Olivenza.
Barbelada: Fóios.
Papada: S. Martín de Trevejo, Malpica do Tejo, Cedillo e La Rabaza.

- ‘presunto’ (a perna traseira)
Jamón: S. Martín de Trevejo, La Rabaza e Olivenza .
Pata: La Rabaza.
Presunto: Fóios, Malpica do Tejo, Cedillo, Porto de Espada, Alegrete e S. Romão.

- ‘joelho do porco’
Cotovelo/cotovillo: S. Martín de Trevejo e Olivenza.
Lacão: Malpica do Tejo, Porto de Espada, Alegrete e La Rabaza. || Lacón: Cedillo.

- ‘chispe’ (o pé do porco)
Chispe: Porto de Espada e Olivenza45.
Cotunho: Porto de Espada.
Pé: Malpica do Tejo.
Pedunha: S. Martín de Trevejo.
Pesunho: S. Martín de Trevejo e La Rabaza.

barbela

- ‘lombinhos’
Lombinhos: Fóios, Cedillo, La Rabaza e S. Romão.
Solomillo: S. Martín de Trevejo e Olivenza.

- ‘tutano’ (a medula do osso)
Miolo: Fóios e Malpica do Tejo.
Tutano: Cedillo, Porto de Espada, Alegrete, La Rabaza e S. Romão. || Tuétano: Olivenza.

- ‘folha [de toucinho]’
Peça: Fóios.
Manto: S. Martín de Trevejo.
Manta: Porto de Espada, Alegrete e La Rabaza.

- ‘banha’ (em cru)
Banha: Fóios, Malpica do Tejo, Cedillo, Porto de Espada, Alegrete, La Rabaza, S. Romão e Olivenza.
Gordura: Malpica do Tejo.
Graxa: Cedillo e Olivenza.
Manteiga: S. Martín de Trevejo.

banha

- ‘pingue’ (banha derretida)
Gordura: Fóios e La Rabaza.
Graxa: S. Martín de Trevejo.
Grosso: Malpica do Tejo.
Manteiga: Cedillo, Porto de Espada, Alegrete, La Rabaza, S. Romão e Olivenza.
Pingo: Alegrete e S. Romão.
Unto: Porto de Espada.

- ‘torresmos’
Charrão: Malpica do Tejo || Chuchurrões: Fóios. || Chicharrós/ Chicharrones/ Chicharrões: S. Martín de Trevejo, Cedillo, Olivenza, La Rabaza.
Torresmos: Porto de Espada, Alegrete, S. Romão
- ‘salgadeira’ (recipiente para guardar a carne salgada)
Alguidar: Porto de Espada.
Caixão: Olivenza.
Caixote: La Rabaza.
Saleiro: S. Martín de Trevejo. || Salgadeira: Fóios, Malpica do Tejo, Alegrete e S. Romão.

- ‘lavagem’ (comida do porco)
Farinha: Olivenza.
Lavadura/lavaduras: Porto de Espada, Alegrete e La Rabaza.
Travia: S. Romão.
Vianda: Fóios, S. Martín de Trevejo, Malpica do Tejo e Cedillo.

lavagem

5. CONCLUSÕES

Numa conclusão muito sucinta, pode verificar-se que segue mantendo vigência a conhecida afirmação de que cada palavra tem a sua história e, de facto, a selecção que estudámos como amostra no apartado 3 é um bom exemplo, pois observámos nela várias tipologias distintas na distribuição das respostas.

Não nos deteremos numa análise pormenorizada, pois os mapas foram comentados em detalhe e o nosso estudo já excede os limites estipulados. Interessa-nos, apenas, chamar a atenção para a existência de várias designações com presença tanto nos dois lados da Raia como nas duas variedades linguísticas envolvidas no nosso estudo, demostrando, uma vez mais, que a existência duma fronteira política não é uma barreira incontornável para a circulação das palavras ou para a manutenção de designações comuns.

No que diz respeito às coincidências entre pares de pontos, incluindo tanto os conceitos estudados em 4.1. como em 4.2., podemos fazer também algumas considerações. Tiveram-se em conta 40 conceitos, pertencentes todos eles ao léxico do porco e da matança. Desses, houve oito casos em que não pudemos estabelecer correspondências, na maioria dos casos porque não foram obtidas respostas em todos os pontos (são eles: ‘varronda’, ‘chispe’, ‘magarefe’, ‘desmanchar’ [o porco, as tripas], ‘véu das tripas’, ‘baço’ e ‘lombinhos’).

No que se refere aos outros 32 conceitos, localizam-se 53 coincidências, repartidas do seguinte modo:

- S. Martín de Trevejo / Fóios: 7
- Cedillo / Malpica do Tejo: 16
- La Rabaza / Porto de Espada e Alegrete46: 17
- Olivenza / S.Romão: 13

Com todas as cautelas que exige o facto de estarmos trabalhando com uma selecção limitada de conceitos, podemos assinalar a existência de dois grandes bloques no (galego-)português exterior às fronteiras administrativas de Portugal. Um deles é, na nossa rede, S. Martín de Trevejo, que se afasta mais das respostas existentes no seu “parceiro” lusófono (Fóios); evidentemente, o facto de ser uma variedade linguística trazida por repovoamento e a sua ligação à Espanha desde longa data são condicionantes chaves para explicar este comportamento. No resto dos pontos exteriores evidencia-se que, apesar da influência indesmentível do castelhano, continua a existir, nos nossos dias, uma quantidade bastante importante de léxico de base portuguesa; o facto de ser Olivenza uma capital de comarca, com a consequente presença adicional do castelhano através do comércio ou dos serviços, aumentou a quantidade de léxico castelhano, em detrimento do português, o que justifica o menor número de coincidências47.

O estudo da terminologia de outros campos semânticos ajudará, sem sombra de dúvidas, a avaliar a real presença de léxico português na Espanha.



NOTAS

1 Não queremos pronunciar-nos sobre o tão debatido tema da adscrição linguística da fala dos Tres Lugaris.

2 Há que assinalar o facto de que algumas das localidades se encontram representadas em duas ou três das fontes acima referidas.

3 Alegrete – 1974; S. Romão – 1974; Carrapatelo – 1980; Porto de Espada – 1983; Campo Maior – 1989; Malpica do Tejo – 1989; Salvaterra do Extremo – 1990; Rosmaninhal – 1995; Terena – 1995; Fóios – 1996; Cedillo – 1997; La Rabaza – 1997; Olivenza – 1998; S. Martín de Trevejo – 1999.

4 Para maior comodidade do leitor e poupança de espaço, a forma indicada na legenda dos mapas é a que se considerou como a mais representativa do tipo em questão; no início de cada apartado indica-se a totalidade das formas.

5 Recolhido com a indicação “nome antigo”.

6 Em 07, 10c1, 13, 14 e 21, bacorinho; em 11, as duas.

7 Indica-se que quando nasce é bacorinho e que tanto essa designação como bácoro se sobrepõem a leitão, resposta dada para a cria que ainda mama. Farroupo designa o animal fisicamente mais desenvolvido.

8 desenvolvido..

9 Em 08 e 22, guarrino; em 20, guarrito.

10 Em 10a, é dito que, em Herrera, se utiliza a designação leichón; em 10b e 20, lechón; em 14, também leitãozinho.

11 Em 05, é dada a informação que leitão é um termo utilizado na área de Castelo Branco.

12 Foi indicado que «leitão é termo recente, não chegam a dizer»; por isso, não o cartografámos.

13 Vide supra, a nota dada na entrada bácoro.

15 Não se especifica se há diferença entre leitão, que foi a resposta escolhida para o apartado anterior, e bácoro, a resposta escolhida para este.

16 Indica-se que quando nasce é bacorinho e que tanto essa designação como bácoro se sobrepõem a leitão, resposta dada para a cria que ainda mama. Também se esclarece que farroupo designa um animal de maior envergadura do que bacorinho, bácoro e leitão.

17 Em 12 e 18b, lechón ou lechones. Em 10b, lechón destetao (cf. mais abaixo).Especifica-se: guarro de dos meses.

18 Em 11, indica-se que o farroupo é maior do que o bácoro, mas no questionário de 9 aparece (por erro?) a indicação contrária.

19 Em 08, destetones (pl.), em 10b, lechón destetao e em 20, destetão..

20 Em 01, marraninhos, alternando com bácoro. Em 05, marrancho, até aos 8 meses.

21 Apenas numa fase já bastante adiantada do projecto é que se começou a perguntar as diferentes designações da cria em diferentes estágios de evolução.

22 Os dois pontos em que documentamos esta forma estão apenas a 50 km da cidade elvense.

23 Em 02, cambelón. Em 16, camellón. Em 03, 09, 11, gamela. Em, 04, 17, 20, gamelón/gamelão.

24 Em 10b, pilón. Em 14, pila. Em 18a, pileta.

25 O título do seu mapa é dornajo, definido pelo DRAE como «Especie de artesa, pequeña y redonda, que sirve para dar de comer a los cerdos, para fregar o para otros usos».

26 Nalguns casos, estas precisões estão anotadas nos cadernos de inquérito. Em 1 (Fóios), o cunco pode ser de madeira ou de pedra, mas recentemente há também de cimento. Em 3 (Salvaterra do Extremo), gamela foi resposta sugerida; é feita em madeira, para deitar a farinha, e de forma redonda ou comprida. Em 4 (S. Martín de Trevejo), indica-se que o gamelão não era de pedra. Em 5 (Rosmaninhal), distingue-se entre a pia, de pedra ou cimento, para porcos já grandes, e o masseirão, de madeira, para a mãe e os pequenos. Por sua vez, em 7 (Malpica do Tejo), a pia, de pedra, é para a água, enquanto o masseirão, de madeira, usa-se para a comida. Em 11 (Alegrete) é o material o elemento determinante: o masseirão é de pau, a gamela de pedra ou cimento e a pia de «pedra de roca». Em 14 (La La Rabaza), a pila é de pedra e o masseirão de madeira; também em 21 (Mourão), com a normal perda do l intervocálico, pia. Em 18a, (Olivenza) a pileta é para a água e o masseirão para a comida (tanto para os porcos grandes como para os pequenos).

27 http://www.geolectos.com/mapas/295.pdf.

28 Vejam-se mais abaixo as especificações de cada designação.

29 Em 08 e 20, cochinera.

30 Em 06 (Ceclavín), corraleda. Em 07 e 10c1, curralada. No resto dos pontos, curral ou corral.

31 Em 21, quartelha.

32 Em 03, 10c1, 14, furda. Em 05, furda e furdão. Em 07, fiúrda e furdeira. Em 08, 10b, 12 e 16, zahúrda. Em 10c2, zafurda.

33 Em 09 e 17, malhada, nos outros pontos, majada.

34 Normalmente a distinção estabelece-se pela existência ou não de um tecto. Assim, em Salvaterra do Extremo a furda está tapada, enquanto a parte exterior se chama corral ou, semelhante, em Malpica do Tejo a fiúrda está na casa, o furdeiro no campo e a parte exterior recebe o nome de corralada. Em Terena, curral é o espaço exterior, e a parte fechada é a malhada, enquanto um pouco mais abaixo, em Olivenza, se usa chiqueiro como termo genérico e pocilga para a parte fechada. Mas não é a forma arquitectónica a única circunstância externa que distingue nomes, também o tipo de animal que na pocilga vive e as actividades que ali desenvolve. Em Rosmaninhal, a furda é só para um porco, enquanto o furdão é para muitos. Em Cedillo e Herrera, segundo o inquérito de Vilhena, a furda (zafurda em Herrera) é a casa onde vivem os porcos e a curralada (em Herrera, cochinera) aquela onde são criados em conjunto. Em Terena usa-se pocilga para as divisões em que os porcos criam e 30 km mais ao sul, em Mourão, a pocilga é para dormirem, o chiqueiro para engordarem e a quartelha para a porca parir.

35 Os dados do ALEPG mostram que a sua maior concentração ocorre no distrito de Castelo Branco.

36 «Quizá voz de or. germ.; cf. al. Sau, marrana, y Hürde, cercado». DRAE, s.v. zahúrda.

37 Em 17 e 19, gornir; em 21, gronir.

38 No ALEPG tem também bastante vitalidade, mas dependendo das zonas (concentra-se, sobretudo, nos distritos de Beja, Bragança, Évora, Faro e Setúbal).

39 Nos inquéritos do ALEPG do resto de Portugal transcritos até ao momento, esta forma apenas se encontra documentada em três localidades.

40 Em 14, indica-se que a adua era uma vara de porcos pertencente a vários donos, saíam de manhã e regressavam à noite.

41 Em 17, a piara é uma «vara pequena».

42 Em 10c aclara-se que se refire a um «conjunto de porcos grandes».

43 Em 09, a vara é de porcos grandes, para vender. Em 21, é para engordar.

44 No que diz respeito ao conceito 4 ‘varrasco’, só se contabilizará como coincidência plena a correspondência exacta, quer dizer, que a forma dos dois pontos seja a mesma das variantes (varraco, verraco, varrasco). Nos outros casos, dada a semelhança das formas, será considerada como parcial.

45 Recolheu-se jimão.

46 Tiveram-se em conta tanto as correspondências entre os três pontos como as de La Rabaza individualmente com qualquer dos outros dois pontos.

47 E também a existência de estruturas fonéticas curiosas, como o jimão ‘presunto’ recolhido em Olivenza.



BIBLIOGRAFIA

CARVALHO, José Herculano de (1953): Coisas e palavras. Coimbra: Coimbra Editora.

CINTRA, Luís F. Lindley (1983): Estudos de Dialectologia Portuguesa. Lisboa: Sá da Costa.
Bibliografia Língua e História na Fronteira Norte-Sul (LHF)

http://www.camertola.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=37&Itemid=41

ANDRÉS-DÍAZ, Ramón de (2007): “Linguistic borders of the Western Peninsula”, International Journal of the Sociology of Language, pp. 121-138.

CARRASCO GONZÁLEZ. J. M. e VIUDAS CAMARASA, A. (eds.) (1996): Actas del I Congreso Internacional Luso-Español de Lengua y Cultura en la Frontera (Cáceres, 1 al 3 de diciembre de 1994), Cáceres: Universidad de Extremadura.

CARRASCO GONZÁLEZ, Juan M. (1996): “Hablas y dialectos portugueses o galaico-portugueses en Extremadura (I: Grupos dialectales: Clasificación de las hablas de Jálama)”, Anuario de estudios filológicos, vol. 19, pp. 135-148.

CARRASCO GONZÁLEZ, Juan M. (1997): “Hablas y dialectos portugueses o galaico-portugueses en Extremadura (Parte II y última: otras hablas fronterizas; conclusiones)”, Anuario de estudios filológicos, vol. 20, pp. 61-79.

CARRASCO GONZÁLEZ, Juan M. (2001): “La frontera lingüística hispano-portuguesa en la provincia de Badajoz”, Revista de filología románica, 18, pp. 139-158

CARRASCO GONZÁLEZ, Juan M. (2004): “Cá no Alentejo: a língua portuguesa em La Codosera”, Anuario de estudios filológicos, vol. 27, pp. 13-21.

CARRASCO GONZÁLEZ, Juan M. (2006): “Evolución de las hablas fronterizas luso-extremeñas desde mediados del siglo XX: Uso y pervivencia del dialecto”, Revista de estudios extremeños, vol. 62, nº 2, pp. 623-633.

CARRASCO GONZÁLEZ, Juan M. (2007): “Falantes de dialectos fronteiriços da Extremadura espanhola no último século”, Limite: Revista de Estudios Portugueses y de la Lusofonía , vol. 1, pp. 51-69.

COSTAS GONZÁLEZ, Xosé Henrique (1999):”Valverdeiro, lagarteiro e mañego: o “galego” do Val do Río Ellas (Cáceres)”, Estudios de sociolingüística románica : linguas e variedades minorizadas / coord. por Francisco Fernández Rei e Antón Santamarina. pp. 83-106.

COSTAS GONZÁLEZ, Xosé Henrique (2001): “Fronteiras lingüísticas no Val do Río Ellas (Cáceres)”, Revista de Filología Románica, vol. 18, 35-50.

GARGALLO GIL, José Enrique (2007): “Gallego-portugués, iberorromance: la “fala” en su contexto románico peninsular”, Limite: Revista de Estudios Portugueses y de la Lusofonía, nº. 1, pp. 31-49.

GONZÁLEZ SALGADO, José Antonio (2000): Cartografía lingüística de Extremadura. Origen y distribución del léxico extremeño. Tese de doutoramento apresentada na Universidad Complutense de Madrid. Disponibilizada na Internet, http://www.geolectos.com; http://eprints.ucm.es/tesis/19972000/H/3/H3059901.pdf.

GONZÁLEZ SALGADO, José Antonio (2001): “Fuentes del vocabulario y áreas léxicas de Extremadura”, en A. Veiga, M. González y M. Souto (eds.), De lenguas y lenguajes. A Coruña: Toxosoutos, pp. 125-139.

GONZÁLEZ SALGADO, José Antonio (2003): Vocabulario tradicional de Extremadura. Léxico de la agricultura y la ganadería. Mérida: Editora Regional de Extremadura.

MAIA, Clarinda de Azevedo (1977): Os falares fronteiriços do concelho do Sabugal e da vizinha região de Xalma e Alamedilla. Coimbra: Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras, Instituto de Estudos Românicos.

MAIA, Clarinda de Azevedo (2001): “Fronteras del español: aspectos históricos y sociolingüísticos del contacto con el portugués en la frontera territorial”, II Congreso Internacional de la Lengua Española: El español en la sociedad de la información, http://congresosdelalengua.es/valladolid/ponencias/unidad_diversidad_del_espanol/5_espanol_y_portugues/azevedo_c.htm.

MATIAS, Maria de Fátima de Resende F. (1984): “Bilinguismo e níveis sociolinguísticos numa região luso-espanhola (concelhos de Alandroal, Campo Maior, Elvas e Olivenza)”. Separata dos vols. XVIII e XIX da Revista Portuguesa de Filologia. Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Instituto de Língua e literatura portuguesas.

MEDINA GARCÍA, Eusebio (2006): “Orígenes históricos y ambigüedad de la frontera hispano-lusa (La Raya)”, Revista de Estudios Extremeños, vol. 62, Nº 2, 713-724.

OSSENKOP, Christina (2006): “La situación lingüística actual de las variedades portuguesas en la franja fronteriza de Valencia de Alcántara”, Revista deEstudios Extremeños, vol. 62, Nº 2, pp. 661-679.

SALVADOR PLANS, A, J. Carrasco González e Mª D. García Oliva (coords.) (2000): Actas del Congreso sobre “A Fala”. 20 y 21 de mayo de 1999. Eljas – San Martín de Trebejo – Valverde del Fresno. Mérida: Editora Regional de Extremadura.

VASCONCELOS, José Leite de (1902): “Linguagens fronteiriças de Portugal e Hespanha”, Revista Lusitana, VII, pp. 133-145.

VILHENA, Maria da Conceição (2000): Falares de Herrera e Cedillo. Mérida: Junta de Extremadura [edição da tese apresentada em 1965]

VIUDAS CAMARASA, Antonio (2006): Bibliografía del patrimonio lingüístico extremeño, em http://aplexextremadura.com/ashe/bibliografia/.